Calendário de Actividades da associação "Amigos da Montanha", em 2007 - Secção de Montanha

Fazer o download do Calendário Geral (todas as modalidades) de Actividades dos Amigos da Montanha em 2007 (pdf - 1,37 Mb)

O Dia Internacional da Montanha foi instituído em 2003, na 57ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, após 2002 ter sido o “Ano Internacional das Montanhas”.
As áreas de montanhas ocupam ¼ da superfície terrestre e nela vivem mais de 10% da população mundial. Cerca de 70% da água potável no mundo é originada nas montanhas, Dos vinte principais alimentos consumidos pela humanidade, seis têm origem nas montanhas (ex. batata dos Andes Peruanos, o milho da Serra do México, e o Sorgo do planalto etíope). Para além disso, as montanhas albergam uma imensurável riqueza a nível da património da fauna e flora, de recursos naturais (hídricos, energéticos, minerais,…), paisagísticos, etc.
Em Espanha a “Plataforma en Defensa de las Montañas de Aragón” também irá celebrar hoje este dia, com uma concentração na cidade de Saragoça, pelas 18 horas, aproveitando para reivindicar uma maior protecção às montanha daquela região, que sobretudo nos últimos anos têm sido alvo de diversas intervenções nefastas, fruto da construção em áreas montanhosas de novas estâncias de ski e de infra-estruturas e equipamentos urbanísticos adstritos.
Folheto Informativo do IMD
Apresentação do IMD (pdf – 3,5 Mb)
Logotipo inferior concebido pela FPME

Aos 23 anos a japonesa, Yuka Komatsu (com apenas
Yuka Komatsu, nasceu em 1982, em Akita (a última cidade do mundo a ser bombardeada durante a IIª Guerra Mundial), no norte do Japão, no seio de uma família com poucos recursos.
Para poder financiar os seus estudos universitários, em Tóquio, viu-se forçada a acumular um trabalho
Começou em
Regressou ao Japão e logo endividou esforços de integrar uma expedição ao K2, em 2006, organizada por um grupo da sua Universidade (Tokai, uma das mais reputadas do Japão). Como Komatsu não conseguiu obter qualquer patrocínio que a ajudasse a financiar os custos, teve de acumular três trabalhos, por dia, para arranjar dinheiro suficiente, para ser admitida na expedição. A admissão na expedição teve em conta o currículo e exames físicos.
Esta expedição, composta por 11 elementos, e liderada por Yoshitsugu Deriha, um experiente alpinista, com 48 anos, englobava 4 alpinistas com menos de 24 anos (Tatsuya Aoki [21 anos], Satosho Nomura [21 anos], Takumi Okano [22 anos], e Yuka Komatsu [23 anos]).
Já durante a expedição, partiram da Campo Base, rumo ao Cume apenas três elementos (Tatsuya Aoki, Yuka Komatsu e Shodo Kuramoto a liderar). Pouco tempo depois, Shodo Kuramoto, sofreu uma apendicite e teve de ser evacuado de emergência. Os dois elementos restantes tiveram que subir sozinhos.
Yuka Komatsu (23 anos) e Tatsuya Aoki (21 anos), durante conferência de imprensa local (fonte da foto)
Komatsu ascendeu com seu colega, Tatsuya Aoki, pelo esporão SSE, também conhecida como via Cesen, ou via basca. Como foram a única expedição este ano a subir por essa via tiveram trabalho acrescido. A equipa usou oxigénio artificial apenas a partir do Campo C3, mas a verdade é que este esgotou-se pouco depois de chegarem ao cume, já quase de noite. Pouco tempo depois a energia das pilhas dos frontais acabou-se e eles viram-se forçados a bivacar a 8200 m (e sem recurso a oxigénio artificial), perto de um local onde 2 semanas antes uma avalanche matara 4 experientes alpinistas russos. Demoraram ainda mais dois dias a chegar ao Campo Base (BC).
O habitual sentido de elevada estima japonês está bem patente no facto de o site oficial da expedição apresentar os 'sherpas' paquistaneses que ajudaram ao sucesso da expedição. O site possui também uma bela galeria de fotos.
Yuka Komatsu tornou-se a 8ª mulher no K2 e a 1ª de nacionalidade japonesa. Por seu lado, Tatsuya Aoki, com 21 anos tornou-se assim a pessoa mais jovem a alcançar o cume do K2 (e tem um promissor futuro pela frente).
Foto captada na ascensão, junto ao C2 (fonte)
Porventura o mais surpreendente é que Komatsu declarou à imprensa que esta seria provavelmente a sua primeira e última montanha de oito mil metros, pois dificilmente voltaria a arranjar dinheiro suficiente para nova expedição. Komatsu tem assim, no horizonte próximo, escalar montanhas, isentas de taxas, como o Fitzroy, na Patagónia argentina, ou a face oeste do Dru, nos Alpes. No momento Komatsu trabalha de nova na loja de produtos de alpinismo em Tóquio, até porque ainda lhe falta pagar parte da expedição ao K2.
Até ao passado mês de Julho apenas 6 mulheres tinham escalado o K2 : Wanda Rutkiewicz (1ª), Liliane Barrard, e Julie Tullis em 1986 ; Chantal Maudit (1992) ; Alison Hargreaves (1995); Edurne Pasaban (2004). Tragicamente todas já faleceram em acidentes na montanha (três durante a descida do K2), com excepção da excelente alpinista basca Pasaban. Pasaban tem oito montanhas de mais de 8 mil metros no currículo (incluindo o Everest [apenas com 27 anos], o Lhotse, e claro o K2), tal como a mítica polaca Wanda Rutkiewicz. Este ano esteve no Shisha Pangma, tal como a expedição portuguesa liderada por João Garcia, a tentar superar esse recorde, mas acabou por desistir, justificando más condições climatéricas.
Ukyo Katayama, nasceu em 1963 em Tóquio. Entrou com 19 anos no mundo das corridas dos monolugares como mecânico, mas logo se guindou para os volantes, obtendo pelo meio alguns títulos. Em 1986 por sua total conta e risco resolveu vir competir para a Inglaterra (mesmo sem saber falar inglês). Aterrou em Paris, pensando na altura que esta cidade fazia parte da Inglaterra. Conseguiu um lugar na competição de Fórmula Renault, mas passado poucos meses teve um acidente muito grave, onde partiu o pescoço e ambas as pernas.
Recuperado, logo voltou à competição, e fê-lo a dobrar pois durante os três anos seguintes acumulou corridas em dois campeonatos: japonês e europeu. Mas granjeou um importante título, que lhe abriu as portas, em 1992, da F1. Ao longo sua carreira nesta classe participou em quase uma centena de provas, e pontuou por diversas vezes, apesar de integrar equipas de 2º plano. Mas a sua contagiante boa-disposição e imenso sentido de humor, essas foram sempre imbatíveis no circo da F1. Em 1994 foi-lhe diagnosticado um tumor cancerígeno na coluna (que se revelou benigno), mas devido a compromissos profissionais Katyama foi adiando o seu efectivo tratamento (sofrendo de fortes dores por isso). Só em 1997 quando as dores eram insuportáveis desistiu da F1 e apenas nessas altura revelou publicamente que tinha um tumor.
Recuperado passou a competir em provas de rallies e afins. Paralelamente no final da década/milénio ingressou no mundo das grandes montanhas. Entretanto, em poucos anos, já subiu a quatro montanhas com mais de oito mil metros, e todas sem recurso a oxigénio:
Contudo Katayama já declarou que vai estar em Lisboa, a 6 de Janeiro de 2007 , na partida do Lisboa-Dakar, ao volante de um Toyota, movido apenas a biomassa (óleo de cozinha reaproveitado).
A generalidade das áreas naturais do nosso país tem visto desde há muito tempo (sobretudo depois do início da implantação do eucaliptal no 3º quartel do século XIX em Portugal) as suas espécies arbóreas autóctones diminuírem acentuadamente, tendo em certas áreas desaparecido mesmo. As causas são sobretudo de ordem humana: as politicas de planeamento (ou falta delas), o desconhecimento dos solos e respectivos ecossistemas, os diversos interesses, o almejar do lucro mais fácil,… Contudo não se pode olvidar os factores de ordem natural (incêndios, secas, enxurradas, etc.) que fustigam muitos espaços naturais, e que nos últimos anos/décadas foram consideravelmente acentuados. Se bem que esses factores de ordem natural são muitas vezes induzidos pela nefasta ou negligente acção humana.
Um dos casos mais salientes desta marcada redução das espécies autóctones ocorre na Serra da Estrela. E nos últimos anos os sucessivos e extensos incêndios que lá se sucedem têm agravado esta situação. Para contrariar este fenómeno a associação "Amigos da Serra da Estrela" (ASE) promove um projecto "Um Milhão de Carvalhos para a Serra da Estrela", que visa a plantação de maior número de espécies de carvalho-negral (Quercus pyrenaica), de modo a “reflorestar” esta Parque Natural. O carvalho negral é uma espécie autóctone da Serra da Estrela, tendo sido até meados do século XX muito frequente, mas que progressivamente se tem vindo a tornar residual, face à implantação de outras espécies como o eucalipto ou o pinheiro, que a curto (e médio) prazo assumem maior rentabilidade económica.
Com isto não defendo que na Serra da Estrela apenas pululem Carvalhos-negrais, também devem existir, com muita conta, peso e medida outras espécies de árvores, mesmo as atrás referidas (eucalipto e pinheiro). Estudos e respectivas conclusões não faltam, agora o que interessa é que a distribuição arbórea no Parque tenha-os em conta, e que pense mais (do que se pensou até agora) nos benefícios (e desvantagens) a longo prazo.
Como é referido no Naturlink “o Carvalho-negral é uma árvore que se adapta facilmente a encostas de montanha, com preferência por altitudes entre os 400 e
A ASE coordena um programa por ela estabelecido, que define algumas etapas neste processo: definição de áreas a reflorestar, recolha de sementes e posterior sementeira ou plantação. No website do projecto está disponível um formulário para as escolas e outras identidades se inscreverem nas actividades, no mês que lhes convêm.
Inúmeras escolas (dos vários ciclos), sobretudo da região, têm vindo a participar neste projecto, inclusive além-fronteiras, neste caso de Salamanca, onde 80 jovens entre os 12 e 18 anos estiveram na Serra da Estrela, nos dia 17 e 18 de Novembro a plantar 5 mil sementes (bolotas). Um grupo de Lisboa já tinha dado, dia 18, início às sementeiras.
No dia passado dia 24 de Novembro, sucedendo ao Dia Ibérico da Floresta Autóctone (dia 23), alunos da Escola Frei Heitor Pinto, da Covilhã, e da Escola Secundária de Seia participaram em acções deste projecto.
No próximo dia 9 de Dezembro, antecedendo o Dia Internacional da Montanha (11 de Dezembro), realizar-se-á uma ampla plantação, à qual contará com mais de 100 montanheiros, provindos de clubes e associados da Federação Portuguesa de Montanhismo e Escalada (FPME), entre eles com elevada participação do Clube de Actividades de Ar Livre (CAAL); de grupos de escuteiros e de pessoas em nome individual. Por sua vez o Parque Natural da Serra da Estrela (ICN) cede seis mil plantas. A Força Aérea portuguesa disponibilizará um helicóptero para transportar estas 6 mil plantas (que correspondem a três toneladas de peso) a locais mais elevados, em áreas ardidas, para posterior plantação. Os carvalhos vão ser plantados em áreas como o Covão do Lameirão (a 1500
A ASE refere que com esta iniciativa, iniciada formalmente em 3 de Novembro e que se estende até finais de Março, "pretende estabilizar os solos e colmatar os efeitos dos incêndios em áreas da Serra da Estrela situadas entre os mil e 400 e os mil e 600 metros de altitude, contribuir para minimizar os riscos da erosão, aumentar a capacidade de retenção e do armazenamento da água. A nível mais geral esta acção visa manter e fomentar a sustentabilidade dos recursos naturais e da biodiversidade, garantir a manutenção futura da actividade pastoril, melhorar a paisagem e, consequentemente, a promoção do turismo"
Espero também puder dar um pequeno contributo.
Imagem retirada do Clube de Montanhismo da Guarda
Algumas informações deste artigo foram vistas no blogue “O Cântaro Zangado”
Na Itália as montanhas assumem outro nível de grandeza, bem diferente do de cá, na inteligibilidade dos cidadãos e até um selo foi dedicado ao "Dia Internacional das Montanhas" (2006).
Na actualidade, o Aconcágua (
O "Ojos del Salado" é um enorme vulcão localizado numa região inóspita entre a região de Atacama e a província de Catamarca, na fronteira entre a Argentina e o Chile.
Nos últimos 100 anos foram efectuadas diversas medições da altitude das duas montanhas. No início do século uma delegação Argentina-Chilena precisou em
Sucedeu-se-lhe uma missão norte-americana, liderada por Adams Carter, que atribuiu ao “Ojos del Salado”
Capa de Novembro da revista Andes Magazine Internacional (clicar para ampliar)
A AMI vai patrocinar uma expedição que intenta provar cientificamente que tecto da América é o “Ojos del Salado”. Para tal contratou René Gajardo, hoje com 84 anos, que assegura que Adams Carter não mediu efectivamente o “Ojos del Salado” mas uma outra montanha. Corroborando esta posições o alpinista Philippe Reuter afirma ter conhecimento de mapas aeronáuticos da Força Aérea dos EUA, onde o “Ojos del Salado” é indicado com uma altitude de
Se hipótese defendida pela AMI for oficialmente provada então pelos menos todos aqueles recordes dos Seven Summits ficarão diminuídos. E muitos dos recordistas, e não só, vão querer escalar o “Ojos del Salado”, o único sete mil fora dos Himalaias/Karakoram.
p.s.: Ajuizamos a ciência e tecnologia num actual estado "avançado", mas na verdade aspectos algo básicos como medir uma montanha por vezes levantam fortes incertezas! Relatividades, como dizia o Albert...