domingo, dezembro 17, 2006

Calendário de Actividades da associação "Amigos da Montanha", em 2007 - Secção de Montanha

No quadro seguinte é apresentado o calendário des Actividades dos Amigos da Montanha relativo ao ano de 2007, apenas referente à Secção de Montanha.


Este ano a associação "Amigos da Montanha" abriu uma nova secção: Rafting, cujo Director Geral é José Paixão e o Director Técnico é Belmiro Penetra. Neste primeiro ano vai contar com 12 actividades. A secção de Canoagem mantêm-se (e bem activa), contando este ano com 15 actividades.


Fazer o download do Calendário Geral (todas as modalidades) de Actividades dos Amigos da Montanha em 2007 (pdf - 1,37 Mb)

segunda-feira, dezembro 11, 2006

11 de Dezembro, o “Dia Internacional da Montanha”


Celebra-se hoje, 11 de Dezembro, o “Dia Internacional da Montanha (International Mountain Day - IMD) de 2006. Este ano o tema escolhido é “Gerir a Biodiversidade das Montanhas para melhorar as condições/qualidade de vida” (“Managing Mountain Biodiversity for Better Lives").

O Dia Internacional da Montanha foi instituído em 2003, na 57ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, após 2002 ter sido o “Ano Internacional das Montanhas”. A FAO (Fundação para Alimentação e Agricultura) , uma organização integrante da ONU, é responsável pela coordenação das cerebrações em cada ano. Em 2002 criaram-se comités nacionais em 78 países, assim como a Aliança Internacional para o Desenvolvimento Sustentável das Regiões de Montanha (ou Aliança para as Montanhas).

Clicar para ampliar

As áreas de montanhas ocupam ¼ da superfície terrestre e nela vivem mais de 10% da população mundial. Cerca de 70% da água potável no mundo é originada nas montanhas, Dos vinte principais alimentos consumidos pela humanidade, seis têm origem nas montanhas (ex. batata dos Andes Peruanos, o milho da Serra do México, e o Sorgo do planalto etíope). Para além disso, as montanhas albergam uma imensurável riqueza a nível da património da fauna e flora, de recursos naturais (hídricos, energéticos, minerais,…), paisagísticos, etc.

Em Espanha a “Plataforma en Defensa de las Montañas de Aragón” também irá celebrar hoje este dia, com uma concentração na cidade de Saragoça, pelas 18 horas, aproveitando para reivindicar uma maior protecção às montanha daquela região, que sobretudo nos últimos anos têm sido alvo de diversas intervenções nefastas, fruto da construção em áreas montanhosas de novas estâncias de ski e de infra-estruturas e equipamentos urbanísticos adstritos.

Também no Nepal e no âmbito da Feira-exposição "Sharing Mountain Knowledge”, que decorre hoje e amanhã em Kathmandu, visando celebrar o Dia Internacional da Montanha, e que é organizado pela IUCN e pela ICIMOD, vão ser apresentadas novas tecnologias a nível de biocompostagem, de energias renováveis, de apicultura ; decorrerá o visionamento de filmes e slides, exposições de fotografias e posters alusivos, etc. Esta feira decorre em paralelo com a Conferência “Mountaineering, Livelihood and Environment”, coordenada pela Nepal Mountaineering Association (NMA).

Folheto Informativo do IMD
Apresentação do IMD (pdf – 3,5 Mb)

Logotipo inferior concebido pela FPME

Plataforma para o Desenvolvimento Sustentável da Serra da Estrela

"Um conjunto de associações e de cidadãos decidiram juntar-se para criar uma Plataforma para o Desenvolvimento Sustentável da Serra da Estrela, com o objectivo de inverter a marcha das pressões sobre o património, natural, paisagístico e cultural na região da serra mais alta de Portugal Continental.

Desta plataforma fazem parte as seguintes instituições: a ASE – Associação Cultural Amigos da Serra da Estrela; a Desnível – Associação de Desportos de Aventura; a LPN – Liga para a Protecção da Natureza; a Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza; a ADAG - Associação Distrital dos Agricultores da Guarda; e a SPEA - Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves. De acordo com Tiago Pais, da Desnível, a plataforma tem como objectivo proteger a Serra da Estrela, através da promoção activa da “conservação da natureza e do desenvolvimento sustentável no seu seio”.


Em virtude daquilo que considera ser as “crescentes pressões sobre o património” e a “gravosa realidade” da serra, este grupo propõe-se a “combater projectos e actividades não compatíveis com a conservação dos recursos naturais, impedir a desertificação das aldeias e fomentar a re-introdução de métodos tradicionais de manutenção de equilíbrios ecológicos, aproveitando os saberes e procedimentos ancestrais”, revela Tiago Pais.

Paralelamente, este grupo de associações quer também apoiar acções de recuperação da paisagem, que tem sido afectada pelos incêndios e pela erosão dos solos. Esta iniciativa tem ainda como finalidade estabelecer parcerias com diversas entidades locais, no sentido de estimular a prática de um “turismo de montanha sustentável devidamente enquadrado com o estatuto de área protegida”, realça aquele dirigente.

Finalmente, a Plataforma para o Desenvolvimento Sustentável da Serra da Estrela lança o repto às populações locais e a toda a sociedade civil para que se envolvam nesta dinâmica. "

Email de contacto da Plataforma: padesse [arroba] gmail.com

Fonte: Kaminhos -9-10-006

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Expedição Portuguesa ao Shisha Pangma, 2006.

A reportagem em formato vídeo, de Aurélio Faria (SIC), da expedição portuguesa de 2006, liderada por João Garcia, ao Shisha Pangma:

Expedição Portuguesa ao Shisha Pangma, 2006
(atenção: duração superior a meia-hora)


(não insiro directamente neste blogue o vídeo por não ter solicitado a autorização do seu autor)


Entrevista de João Garcia ao Record 10

terça-feira, dezembro 05, 2006

Yuka Komatsu: uma alpinista gigante com apenas 1,55 m.

Aos 23 anos a japonesa, Yuka Komatsu (com apenas 1,55 m) alcança o seu primeiro oito mil. Esse oito mil foi o K2 (em 1/08/006).

Yuka Komatsu, nasceu em 1982, em Akita (a última cidade do mundo a ser bombardeada durante a IIª Guerra Mundial), no norte do Japão, no seio de uma família com poucos recursos.

Para poder financiar os seus estudos universitários, em Tóquio, viu-se forçada a acumular um trabalho em part-time. Arranjou-o numa loja em Tóquio da maior cadeia de vendas de produtos de alpinismo, o que a levou interessar-se pela modalidade, apesar do escasso tempo disponível para poder praticar.

Começou em 2001 a praticar escalada (rocha e gelo). Em 2004, sem nunca antes ter postos os pés nas grandes cordilheiras asiáticas, liderou uma equipe japonesa às montanhas Karakonglong, na Cordilheira dos Pamires, alcançando então um cume de 6300m. Entretanto concluiu o seu curso universitário em Março de 2005. Partiu logo de seguida para o Tibete pois conseguira ser incluída como membro da Expedição de Amizade Japão-China, na subida ao Everest. Contudo quando chegou ao Campo Base, soube que a equipa que faria o cume já tinha sido escolhida. Esta notícia revelou-se uma tremenda frustração para Komatsu.

Regressou ao Japão e logo endividou esforços de integrar uma expedição ao K2, em 2006, organizada por um grupo da sua Universidade (Tokai, uma das mais reputadas do Japão). Como Komatsu não conseguiu obter qualquer patrocínio que a ajudasse a financiar os custos, teve de acumular três trabalhos, por dia, para arranjar dinheiro suficiente, para ser admitida na expedição. A admissão na expedição teve em conta o currículo e exames físicos.

Esta expedição, composta por 11 elementos, e liderada por Yoshitsugu Deriha, um experiente alpinista, com 48 anos, englobava 4 alpinistas com menos de 24 anos (Tatsuya Aoki [21 anos], Satosho Nomura [21 anos], Takumi Okano [22 anos], e Yuka Komatsu [23 anos]).

Já durante a expedição, partiram da Campo Base, rumo ao Cume apenas três elementos (Tatsuya Aoki, Yuka Komatsu e Shodo Kuramoto a liderar). Pouco tempo depois, Shodo Kuramoto, sofreu uma apendicite e teve de ser evacuado de emergência. Os dois elementos restantes tiveram que subir sozinhos.

Yuka Komatsu (23 anos) e Tatsuya Aoki (21 anos), durante conferência de imprensa local (fonte da foto)

Komatsu ascendeu com seu colega, Tatsuya Aoki, pelo esporão SSE, também conhecida como via Cesen, ou via basca. Como foram a única expedição este ano a subir por essa via tiveram trabalho acrescido. A equipa usou oxigénio artificial apenas a partir do Campo C3, mas a verdade é que este esgotou-se pouco depois de chegarem ao cume, já quase de noite. Pouco tempo depois a energia das pilhas dos frontais acabou-se e eles viram-se forçados a bivacar a 8200 m (e sem recurso a oxigénio artificial), perto de um local onde 2 semanas antes uma avalanche matara 4 experientes alpinistas russos. Demoraram ainda mais dois dias a chegar ao Campo Base (BC).
O habitual sentido de elevada estima japonês está bem patente no facto de o site oficial da expedição apresentar os 'sherpas' paquistaneses que ajudaram ao sucesso da expedição. O site possui também uma bela galeria de fotos.

Yuka Komatsu tornou-se a 8ª mulher no K2 e a 1ª de nacionalidade japonesa. Por seu lado, Tatsuya Aoki, com 21 anos tornou-se assim a pessoa mais jovem a alcançar o cume do K2 (e tem um promissor futuro pela frente).

Foto captada na ascensão, junto ao C2 (fonte)

Porventura o mais surpreendente é que Komatsu declarou à imprensa que esta seria provavelmente a sua primeira e última montanha de oito mil metros, pois dificilmente voltaria a arranjar dinheiro suficiente para nova expedição. Komatsu tem assim, no horizonte próximo, escalar montanhas, isentas de taxas, como o Fitzroy, na Patagónia argentina, ou a face oeste do Dru, nos Alpes. No momento Komatsu trabalha de nova na loja de produtos de alpinismo em Tóquio, até porque ainda lhe falta pagar parte da expedição ao K2.

Até ao passado mês de Julho apenas 6 mulheres tinham escalado o K2 : Wanda Rutkiewicz (1ª), Liliane Barrard, e Julie Tullis em 1986 ; Chantal Maudit (1992) ; Alison Hargreaves (1995); Edurne Pasaban (2004). Tragicamente todas já faleceram em acidentes na montanha (três durante a descida do K2), com excepção da excelente alpinista basca Pasaban. Pasaban tem oito montanhas de mais de 8 mil metros no currículo (incluindo o Everest [apenas com 27 anos], o Lhotse, e claro o K2), tal como a mítica polaca Wanda Rutkiewicz. Este ano esteve no Shisha Pangma, tal como a expedição portuguesa liderada por João Garcia, a tentar superar esse recorde, mas acabou por desistir, justificando más condições climatéricas.

Komatsu não foi a 7ª mulher no K2, mas sim a 8ª pois seis dias antes de chegar ao cume, já a italiana Nives Meroi, o lograra, a 26 de Julho de 2006. Meroi realizou a ascensão com seu marido Romano Benet sem recurso a oxigénio artificial (como sempre o fazem) pelo esporão Abruzzi. Esta expedição foi uma das melhores entre as melhores expedições deste ano nos Himalaias-Karakoram. Nives já tentara ascender ao K2 em 1994 e em 2003. Este ano para se aclimatarem já tinham ascendido ao Dhaulagiri em 17 de Maio. Tentaram depois o Annapurna mas não conseguiram. o K2 foi o oitavo 8 mil de Meroi (sem contar com o cume central do Shisha Pangma que já ascendeu). Em 2003 fez 3 cumes de uma assentada, e em apenas 20 dias (GI, GII e o Broad Peak). Já tinha ascendido em anos anteriores ao Nanga Parbat, Cho Oyu, Lhotse

O recorde ascensões a montanhas de 8 mil metros pertence na actualidade à austríaca Gerlinde Kaltenbrunner com nove ascensões, todas sem recurso a oxigénio artificial. Gerlinde afigura-se a maior alpinista da actualidade, e porventura de sempre (mesmo de Wanda Rutkiewicz). Nos últimos 3 anos ascendeu a seis montanhas de 8 mil metros (apesar de só ter atingido os 8400 metros no Lhotse). Em 2004, com diferença de menos de um mês fez o G1 e o Annapurna (o 8 mil com maior % de mortes). Em 2005 fez o Shisha Pangma em 7 Maio, depois tentou fazer de seguida o Everest (mas restou nos 7650 m) e em 21 de Julho fez o GII. Em 2006 fez em 14 de Maio o Kanchenjunga e em 24 de Maio ficou-se pelos 8400m no Lhotse. Desde 1998 já ascendera ao Cho Oyo, Makulu, Manaslu e Nanga Parbat. Também já atingiu um dos cumes (8027 m) do Broad Peak e o cume central do Shisha Pangma. Regra geral segue as vias mais difíceis.

Comparativamente a Gerlinde a basca Pasaban recorre ao oxigénio artifical e prefere as vias mais acessíveis, mas também já ascendeu ao K2, Everest, e ao Lhotse (tudo cumes que Gerlinde ainda não atingiu, ao invés já ascendeu ao Kanchenjunga). Contudo, este ano Pasaban não granjeou nenhum cume de 8 mil ao invés de Gerlinde, que passou assim a ser a recordista. No meio surge Meroi com 2 dos mais difíceis cumes: K2 e Lhotse, e sempre ser recurso ao oxigénio artificial.

domingo, dezembro 03, 2006

Um Himalaísta com mil e uma vidas de grande tenacidade!

Katayama é um nome que associamos à Formula 1. Mas o corredor japonês de F1, conhecido da década de 90, poucos anos depois de ter sido forçado a abandoná-la, passou a dedicar-se mais a uma sua outra grande paixão, o Himalaísmo.

Ukyo Katayama, nasceu em 1963 em Tóquio. Entrou com 19 anos no mundo das corridas dos monolugares como mecânico, mas logo se guindou para os volantes, obtendo pelo meio alguns títulos. Em 1986 por sua total conta e risco resolveu vir competir para a Inglaterra (mesmo sem saber falar inglês). Aterrou em Paris, pensando na altura que esta cidade fazia parte da Inglaterra. Conseguiu um lugar na competição de Fórmula Renault, mas passado poucos meses teve um acidente muito grave, onde partiu o pescoço e ambas as pernas.

Recuperado, logo voltou à competição, e fê-lo a dobrar pois durante os três anos seguintes acumulou corridas em dois campeonatos: japonês e europeu. Mas granjeou um importante título, que lhe abriu as portas, em 1992, da F1. Ao longo sua carreira nesta classe participou em quase uma centena de provas, e pontuou por diversas vezes, apesar de integrar equipas de 2º plano. Mas a sua contagiante boa-disposição e imenso sentido de humor, essas foram sempre imbatíveis no circo da F1. Em 1994 foi-lhe diagnosticado um tumor cancerígeno na coluna (que se revelou benigno), mas devido a compromissos profissionais Katyama foi adiando o seu efectivo tratamento (sofrendo de fortes dores por isso). Só em 1997 quando as dores eram insuportáveis desistiu da F1 e apenas nessas altura revelou publicamente que tinha um tumor.

Recuperado passou a competir em provas de rallies e afins. Paralelamente no final da década/milénio ingressou no mundo das grandes montanhas. Entretanto, em poucos anos, já subiu a quatro montanhas com mais de oito mil metros, e todas sem recurso a oxigénio:

  • Cho Oyo (8 201 m. no Outono 2001);
  • Everest (apenas ao Cume Sul [8749 metros], na Primavera de 2002),
  • Sisha Pangma (Cume Central [8008 metros], em 2003);
  • Manaslu (8 163 m. em 5/11/006)
Na recente ascensão ao Manaslu, Katayama perdeu (por congelamento), pelo menos, todos os dedos dos pés, em resultado de ter sido forçado a bivacar, devido a uma tempestade de neve. Já em 2004 Katayama tentou ascender ao Manaslu, mas foi forçado a desistir.

Manaslu (1 863 m) © Richard SG (clicar para ampliar)

O Manaslu é depois do monte Fuji, a montanha mais mítica dos Japoneses. A sua primeira ascensão foi realizada em 1956 por uma expedição japonesa (chegaram ao cume Toshia Imanishi e o sherpa Gyalzen Norbuo). Como tal comemoram-se este anos os 50 anos da 1ª ascensão a este cume. Por outro lado foi também uma expedição japonesa, a 1ª expedição feminina ao Manaslu. Em 1974 Kyoko Sato, Naoko Nakaseko, Masako Uchida, Mieko Mori, e Jambu Sherpa, atingiram o cume (Sadako Suzuki que também integrava a expedição sofreu uma queda mortal durante a subida). E nesta ascensão foi a primeira vez que uma mulher (neste caso várias) superava a barreira dos 8 mil metros. No ano seguinte, 1975, a também japonesa, Junko Tabei, tornou-se na 1ª mulher a ascender ao Evereste. Já quanto a saber quem foi efectivamente o 1º japonês no Evereste restará sempre a dúvida...
Mas este ano foi também um ano muito especial para o himalaísmo feminino japonês pois a japonesa Yuka Komatsu, de apenas 23 anos de idade conseguiu, com Tatsuya Aoki (21 anos) em 1 de Agosto o seu primeiro oito mil. E logo o K2! Tornou-se a 8ª mulher no k2 e a 1ª de nacionalidade japonesa. Por seu lado o seu colega de cume, Tatsuya Aoki, tornou-se a pessoa mas jovem no cume.

Katayama
considerou a sua ascensão ao Manaslu um dos momentos mais importantes da sua vida devido à mística que esta montanha representa para ele desde pequeno e para todo o Japão.

Contudo Katayama já declarou que vai estar em Lisboa, a 6 de Janeiro de 2007 , na partida do Lisboa-Dakar, ao volante de um Toyota, movido apenas a biomassa (óleo de cozinha reaproveitado).


1 000 000 de carvalhos para a Serra da Estrela: um projecto a louvar e participar.

(este post foge um pouco ao âmbito deste blogue e como tal protelei-o, mas acho que a obrigação falou mais alto. Este blogue também presta a devida atenção às 'coisas' do nosso país.)

A generalidade das áreas naturais do nosso país tem visto desde há muito tempo (sobretudo depois do início da implantação do eucaliptal no 3º quartel do século XIX em Portugal) as suas espécies arbóreas autóctones diminuírem acentuadamente, tendo em certas áreas desaparecido mesmo. As causas são sobretudo de ordem humana: as politicas de planeamento (ou falta delas), o desconhecimento dos solos e respectivos ecossistemas, os diversos interesses, o almejar do lucro mais fácil,… Contudo não se pode olvidar os factores de ordem natural (incêndios, secas, enxurradas, etc.) que fustigam muitos espaços naturais, e que nos últimos anos/décadas foram consideravelmente acentuados. Se bem que esses factores de ordem natural são muitas vezes induzidos pela nefasta ou negligente acção humana.

Um dos casos mais salientes desta marcada redução das espécies autóctones ocorre na Serra da Estrela. E nos últimos anos os sucessivos e extensos incêndios que lá se sucedem têm agravado esta situação. Para contrariar este fenómeno a associação "Amigos da Serra da Estrela" (ASE) promove um projecto "Um Milhão de Carvalhos para a Serra da Estrela", que visa a plantação de maior número de espécies de carvalho-negral (Quercus pyrenaica), de modo a “reflorestar” esta Parque Natural. O carvalho negral é uma espécie autóctone da Serra da Estrela, tendo sido até meados do século XX muito frequente, mas que progressivamente se tem vindo a tornar residual, face à implantação de outras espécies como o eucalipto ou o pinheiro, que a curto (e médio) prazo assumem maior rentabilidade económica.

Com isto não defendo que na Serra da Estrela apenas pululem Carvalhos-negrais, também devem existir, com muita conta, peso e medida outras espécies de árvores, mesmo as atrás referidas (eucalipto e pinheiro). Estudos e respectivas conclusões não faltam, agora o que interessa é que a distribuição arbórea no Parque tenha-os em conta, e que pense mais (do que se pensou até agora) nos benefícios (e desvantagens) a longo prazo.

Como é referido no Naturlink “o Carvalho-negral é uma árvore que se adapta facilmente a encostas de montanha, com preferência por altitudes entre os 400 e 1500 metros, às vezes até maior altitude, suportando bem os frios e as neves de inverno. Ocorre bem em solos siliciosos, puros ou com argila, como os graníticos ou xistosos e suporta mal os solos básicos.”

A ASE coordena um programa por ela estabelecido, que define algumas etapas neste processo: definição de áreas a reflorestar, recolha de sementes e posterior sementeira ou plantação. No website do projecto está disponível um formulário para as escolas e outras identidades se inscreverem nas actividades, no mês que lhes convêm.

Inúmeras escolas (dos vários ciclos), sobretudo da região, têm vindo a participar neste projecto, inclusive além-fronteiras, neste caso de Salamanca, onde 80 jovens entre os 12 e 18 anos estiveram na Serra da Estrela, nos dia 17 e 18 de Novembro a plantar 5 mil sementes (bolotas). Um grupo de Lisboa já tinha dado, dia 18, início às sementeiras.

No dia passado dia 24 de Novembro, sucedendo ao Dia Ibérico da Floresta Autóctone (dia 23), alunos da Escola Frei Heitor Pinto, da Covilhã, e da Escola Secundária de Seia participaram em acções deste projecto.

Também elementos do Agrupamento 111 dos Escuteiros de Santarém já deram o seu contributo. Até ao momento já foram também já semeadas 11 mil e 400 bolotas de carvalho

No próximo dia 9 de Dezembro, antecedendo o Dia Internacional da Montanha (11 de Dezembro), realizar-se-á uma ampla plantação, à qual contará com mais de 100 montanheiros, provindos de clubes e associados da Federação Portuguesa de Montanhismo e Escalada (FPME), entre eles com elevada participação do Clube de Actividades de Ar Livre (CAAL); de grupos de escuteiros e de pessoas em nome individual. Por sua vez o Parque Natural da Serra da Estrela (ICN) cede seis mil plantas. A Força Aérea portuguesa disponibilizará um helicóptero para transportar estas 6 mil plantas (que correspondem a três toneladas de peso) a locais mais elevados, em áreas ardidas, para posterior plantação. Os carvalhos vão ser plantados em áreas como o Covão do Lameirão (a 1500 metros de altitude), Candeeira (1443 metros) e Lagoa dos Cântaros (a 1579 metros), locais de difícil acesso. Contudo nesse dia apenas serão plantadas pouco mais de mil carvalhos, recorrendo-se ao uso do piolet. Os que sobrarem ficam já nos locais para em data breve serem plantados.

A ASE refere que com esta iniciativa, iniciada formalmente em 3 de Novembro e que se estende até finais de Março, "pretende estabilizar os solos e colmatar os efeitos dos incêndios em áreas da Serra da Estrela situadas entre os mil e 400 e os mil e 600 metros de altitude, contribuir para minimizar os riscos da erosão, aumentar a capacidade de retenção e do armazenamento da água. A nível mais geral esta acção visa manter e fomentar a sustentabilidade dos recursos naturais e da biodiversidade, garantir a manutenção futura da actividade pastoril, melhorar a paisagem e, consequentemente, a promoção do turismo"

Espero também puder dar um pequeno contributo.

Imagem retirada do Clube de Montanhismo da Guarda
Algumas informações deste artigo foram vistas no blogue “O Cântaro Zangado

sábado, dezembro 02, 2006

Emissão de um selo a celebrar o "Dia Internacional das Montanhas" 2006, a 11 de Dezembro

O “Dia Internacional da Montanha” de 2006, que se celebra a 11 de Dezembro tem este ano como tema “Gerir a Biodiversidade das Montanhas para melhorar as condições/qualidade de vida” (“Managing Mountain Biodiversity for Better Lives"). O Dia Internacional da Montanha foi instituído em 2003 pela Organização das Nações Unidas, após 2002 ter sido o “Ano Internacional das Montanhas”.

Na Itália as montanhas assumem outro nível de grandeza, bem diferente do de cá, na inteligibilidade dos cidadãos e até um selo foi dedicado ao "Dia Internacional das Montanhas" (2006).

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"Enciclopedia de la Montaña" online e uma obra referencial na literatura de montanha

Desde este Verão a editora madrilenha Desnível disponibiliza online a sua "Enciclopedia de la Montaña", da autoria de Jun José Zorrila, editada em 2000. O formato escolhido foi de um wiki, permitindo assim facilmente a qualquer pessoa (desde que se registe nesse wiki) melhorar e actualizar os artigos, bem como criar novos artigos. Contudo a Língua usada tem de ser a espanhola. Aceder à "Enciclopedia de la Montaña" online. (a propósito um artigo relacionado com Portugal)


Por falar em Desnível, esta editora publicou em Outubro o livro de Reinhold Messner, "La Montaña Desnuda". Trata-se de uma tradução do original em alemão (Língua e respectivo país em que normalmente são publicados originalmente as múltiplas obras de Messner), publicado em 2003. Este livro foi traduzido e editado em diversas Línguas (Inglesa, 2003; Italiana, 2004; Francesa, 2006;...). Estou nos últimos capítulos e já o considero o livro mais sólido de Messner (dos sete livros que já li dele). Mesmo acima de "Moving mountains" (Mover Montañas), já agora cuja tradução do original em alemão para inglês é bastante fraca (ainda por cima vindo de uma prestigiada editora como a Mountaineers Books [!]), e mais vale ler em espanhol. "La Montaña Desnuda" focada na expedição de 1970 ao Nanga Parbat, em que o seu irmão Gunther Messner morreu na descida da Face do Diamir, afigura-se já umas da maiores obras da Literatura de Montanha. Messner passou a dispor de mais tempo para escrever as suas obras e isso reflecte-se no efectivo acréscimo de qualidade. Para os muitos que ao longos das décadas diziam que Messner só sabia usar bem as mãos para escalar, este livro comprova que, dispondo do tempo conforme, Messner escreve obras Maiores.

sexta-feira, dezembro 01, 2006

“Ojos del Salado”: o novo tecto da América? Um sete mil no continente americano?

O último número da revista “Andes Magazine Internacional” (AMI) veio reacender uma polémica antiga, a de saber qual é efectivamente o cume mais elevado da América (Norte, Centro e Sul).

Na actualidade, o Aconcágua (6.960 metros), situado na província de Mendoza, na Argentina, é considerada a montanha de maior altitude da América. A AMI quer agora provar que o “Ojos del Salado” tem uma altitude superior, superando inclusivamente a barreira do 7 mil metros.

O "Ojos del Salado" é um enorme vulcão localizado numa região inóspita entre a região de Atacama e a província de Catamarca, na fronteira entre a Argentina e o Chile.

Nos últimos 100 anos foram efectuadas diversas medições da altitude das duas montanhas. No início do século uma delegação Argentina-Chilena precisou em 6 853 metros o Ojos del Salado. Em 1956, uma expedição chilena, liderada pelo capitão René Fajardo, alcançou pela primeira vez este cume. Esta equipa obteve uma altitude 7 084 metros, utilizando como instrumento de medição um altímetro para o cume central.

Sucedeu-se-lhe uma missão norte-americana, liderada por Adams Carter, que atribuiu ao “Ojos del Salado” 6 885 metros. Paralelamente outra expedição argentina aferiu a altitude do Aconcágua em 6 959,6 metros, valor aceite até hoje. Contudo nenhuma destas expedições subiu até os respectivos cumes.

Capa de Novembro da revista Andes Magazine Internacional (clicar para ampliar)

A AMI vai patrocinar uma expedição que intenta provar cientificamente que tecto da América é o “Ojos del Salado”. Para tal contratou René Gajardo, hoje com 84 anos, que assegura que Adams Carter não mediu efectivamente o “Ojos del Salado” mas uma outra montanha. Corroborando esta posições o alpinista Philippe Reuter afirma ter conhecimento de mapas aeronáuticos da Força Aérea dos EUA, onde o “Ojos del Salado” é indicado com uma altitude de 7083 metros, semelhante ao valor aferido na missão René Gajardo. Por outro lado, recorrendo-se ao Google Earth os resultados obtidos sustentam as posições anteriores.

Se hipótese defendida pela AMI for oficialmente provada então pelos menos todos aqueles recordes dos Seven Summits ficarão diminuídos. E muitos dos recordistas, e não só, vão querer escalar o “Ojos del Salado”, o único sete mil fora dos Himalaias/Karakoram.

p.s.: Ajuizamos a ciência e tecnologia num actual estado "avançado", mas na verdade aspectos algo básicos como medir uma montanha por vezes levantam fortes incertezas! Relatividades, como dizia o Albert...