domingo, setembro 24, 2006

Amigos da Montanha – Ascensão ao Espiguete (2450 m.) – Páscoa de 2006.

Não tenho podido actualizar com mais regularidade este blogue, relatando actividades em montanhas e afins que realizei, por falta de tempo (não de vontade). Contudo, pelo facto de muito recentemente ter encontrado umas fotos que pensava ter inadvertidamente apagado do HD do meu computador (para sempre), relativas à ascensão ao Espiguete, na Serra Cantábrica, na Páscoa, com os “Amigos da Montanha (AM) induziu-me a mais um post e respectivas fotos.

Pelo tempo que medeia entretanto alguns aspectos e pormenores escapam-me. Mas vou tentar lembrar-me o melhor possível dos diversos ‘episódios’ da actividade. A descrição vai ser tipo relatório, sem grandes (ou nenhuns) lirismos…

(Clicar nas fotos para ampliar)

Antes de tudo refiro que a actividade foi organizada e coordenada pelo Kata (coordenador técnico da secção de montanha dos AM) e pelo Peixoto (director de alpinismo da secção de montanha dos AM).

A saída da sede dos Amigos da Montanha, em Barcelinhos, processou-se na madrugada do dia 14 de Abril de 2006, com chuva a espaços, que nos acompanhou durante o trajecto rumo à zona meridional da Serra Cantábrica. Se bem me recordo, resolvemos almoçar em Sahagun. Cerca das 15.h00 (lusas) estacionamos as duas carrinhas da associação no parque de estacionamento do início da Senda de Mazobre. Na primeira hora de decurso da Senda não choveu. Quando começou a chover, aí, quase não mais parou. A partir de cerca de 1600 m. a neve no chão e a chuva pelo ar já eram uma constante companhia. Ainda antes de se atingir os 1800 m. a chuva deu lugar ao granizo, e também alguma neve.

Montou-se acampamento base a cerca de 1900 m. numa das poucas zonas não cobertas de neve, mas ao invés com mil pedras, pedrinhas e pedregulhos. A temperatura registada era um pouco abaixo do que se esperava para época do ano. Rondava a esta cota os zero graus e o vento era cada vez mais pronunciado. A montagem das tendas obrigou assim um acrescido esforço e a intensa àgua da chuva, neve e granizo já começava a infiltrar-se por todo o lado, mesmo com todo o material impermeabilizante. As tendas foram bem seguras, devido ao fortíssimo vento que fazia sentir na aérea. Jantou-se logo de seguida.

Pelo que constatei no dia seguinte (15/04/006) a generalidade das pessoas não dormiu muito bem, devido sobretudo à forte ventania nocturna (e algumas fortuitas pedras debaixo da tenda).

De manhãzinha cedo, cerca das 8 horas, começou-se a subir a vertente norte do Espiguete em duas cordadas:
-Kata, Fernando, Cadinha, Abílio, Marco.
-Peixoto, Melita, Toni, Fátima.

A partir de cerca dos 2200 metros o nevoeiro era intenso e o vento era relativamente pronunciado. Uns duzentos metros antes de se atingir o cume (pico oeste do Espiguete), no percorrer de uma aresta da montanha (coberta de neve, óbvio), passou-se por uma placa metálica incrustada na rocha em memória de um montanhista, falecido neste local em 1996.

No cume do Espiguete [2450m.] (foto tirado pelo Kata)

No cume do Espiguete (2450 metros), que se atingiu cerca das 11h.30, fazia-se sentir bastante vento e a Tº rondava os -5 ºC /-6 ºC. Foram tiradas as habituais fotos de recordação e logo se desceu com bom ritmo. Chegados às tendas almoçamos no seu interior e logo começamos a desmontar o acampamento pois a chuva não havia modo de arredar pé e já nem os melhores impermeáveis a sustinham. Acampamento desmontado, desceu-se.

(continua em breve…)


Fotos em grande tamanho da actividade no blogue Multiactividades Desportivas. A maioria das fotos reporta à primeira hora de subida da Senda Mazobre, no dia 14/04/006, pois a partir daí a persistente chuva, neve e granizo quase não permitiram captar mais imagens (para resguardo da máquina fotográfica) nas horas e dias seguintes.

Ou ver slideshow das fotos (medium size) no Flickr

Ou o seguinte slideshow:

Participantes na actividade: Kata, Peixoto, Abílio, Cadinha, Fátima, Fernando, Marco, Melita, Toni, Zacarias.


Todas as fotos aqui apresentadas são de Fernando Vilarinho (com excepção da que está assinalada [Kata])

quarta-feira, setembro 20, 2006

1º Seminário sobre os Picos de Europa decorreu em Oviedo, de 16 a 17 de Setembro

Durante o passado fim-de-semana celebrou-se no Auditório Príncipe Filipe de Oviedo o 1º Seminário sobre os Picos de Europa, coincidindo com o centenário da segunda ascensão ao Pico Urriellu (1ª em solitário), por parte do alemão Gustavo Schulze.

O seminário, dirigido por Francisco Ballesteros, contou com a presença de várias gerações de escaladores vinculados ao Naranjo, como Pedro Udaondo, Miguel Ángel García Gallego, Carlos Suarez, Pérez de Tudela, Felix Mendez, Isidoro Rodríguez, Jordi Pons, o presidente da FEDME Joan Garrigós, e muitos outros

Foram apresentadas diversas comunicações relacionadas com os Picos, com temas como a actividade montanheira, os guias do Naranjo, a escalada extrema, aspectos jurídicos do Parque, etc.

Destacou-se a presença do himalaísta asturiano Jorge Egocheaga, ao qual o organizador do Seminário, Franciso Ballesteros, propôs a eleição para o prémio Príncipe das Astúrias.

O seminário completou-se com inauguração de uma exposição de fotografias dos Picos da Europa da autoria do fotógrafo de montanha Alfredo Fernández. Esta exposição pode ser vista até 22 de Setembro no Auditório de Oviedo.

Traduzido da notícia da Barrabés 19/9/006

segunda-feira, setembro 11, 2006

Expedição portuguesa liderada por João Garcia ao Shisha Pangma (8 046 m), o “Lugar dos Santos”. O oitavo 8 mil de João Garcia.

Uma expedição 100% portuguesa, liderada pelo himalaísta João Garcia vai realizar, entre 16 de Setembro e 18 de Novembro, a ascensão à montanha Shisha Pangma (8 046 m), no Tibete. A acompanhar, em reportagem, a expedição estará o rotineiro jornalista da SIC nas expedições de João Garcia, Aurélio Faria, que, pela primeira vez, tentará seguir a expedição até ao ponto mais alto possível, o ideal: o cume. O topo desta montanha nunca foi pisado por nenhum português, apesar de diversas tentativas. Será a primeira vez que uma expedição deste tipo, liderado por João Garcia, integra um elemento feminimo, Ana Santos.

Esta ascensão insere-se no projecto de João Garcia “À Conquista dos Picos do Mundo” que consiste na ascensão às 14 montanhas com mais de 8.000 metros de altitude (Himalaias e Karakorum), feito alcançado até hoje por um restrito número de himalaístas, e que está prevista decorrer até 2010. Este projecto teve a sua estreia do melhor modo possível, pois logo na 1ª tentativa, João Garcia ascendeu, em 22 de Maio deste ano, ao Kanchenjunga (8586 m), considerado a par do K2 a mais difícil montanha de alcançar dos 8 mil. João Garcia concretizou assim os cumes de metade dos 14 oito mil.

Pela terceira vez consecutiva, João Garcia partirá para uma expedição a um 8 mil com uma equipa exclusivamente portuguesa. Desta vez será composta, para além de João Garcia, de mais quatro alpinistas: Hélder Santos (28 anos), Rui Rosado (30 anos), Bruno Carvalho (29 anos) e Ana Santos (31 anos). A primeira foi ao Lhotse (8516 m), o ano passado, com Hélder Santos, e a segunda foi na Primavera deste ano ao Kanchenjunga (8586 m), com António Coelho. A actual expedição, ao Shisha Pangma, será a que incorpora maior número de lusos.

Com a excepção de Ana Santos, todos estes alpinistas já tinham realizado anteriormente expedições em conjunto na cordilheira dos Himalaias. Hélder Santos, Rui Rosado e Bruno Carvalho participaram com João Garcia nas expedições ao Pumori, em 2003, e ao Ama Dablam, em 2004, onde todos estes alpinistas atingiram os respectivos cumes.

Shisha Pangma (8 046m)

Para João Garcia que considera sempre muito gratificante escalar com alpinistas portugueses, é a primeira vez que escala com Ana Santos (que já ascendeu, entre outras montanhas, ao McKinley), e que vai tentar ser a primeira mulher portuguesa a atingir o cume de um 8 mil.

Esta é terceira tentativa de João Garcia de alcançar o topo do Shisha Pangma. A 1ª foi em 1993, pela face sul, impossibilitado de prosseguir acometido por problemas de saúde, e em 2002, inviabilizada pelas péssimas condições atmosféricas que na altura se faziam sentir.

A expedição será efectuada em 2 fases: na primeira, para aclimatação e adaptação à altitude, escalarão antes o Island Peak (6165m), no Nepal. De acordo com João Garcia, “nesta primeira fase, vamos procurar não estar sempre em montanha, de modo a quebrar a barreira psicológica da solidão”. Para a segunda fase, a expedição dispõe de 45 dias de licença de escalada, em que o “terreno será explorado à medida das reacções do organismo”. Para João Garcia, “mesmo que algum elemento não tenha condições de continuar, em qualquer altura, não deixa de fazer parte da equipa, dando apoio, nem que seja por via rádio”. A ascensão será efectuada pela face sul, a mais difícil.

Shisha Pangma

O Shisha Pangma foi a última montanha dos 8 mil a ser atingido o seu cume, em 2 de Maio de 1964, por uma expedição chinesa composta por dez alpinistas, apenas 14 anos depois do Annapurna (1º oito mil a ser escalado) e 11 anos depois do Evereste.

Como todas as grandes montanhas da região o seu nome adquire vários significados consoante as línguas e dialectos da zona. Em tibetano :“Crista acima das planícies gramíneas”, em chinês: “Mau tempo”, em sânscrito: “Lugar dos Santos”. Também é apelidada de o “Trono dos Desuses”

Uma foto dos cinco alpinistas no topo do Shisha Pangma seria um dos mais belos quadros para a história do alpinismo português. Como em sânscrito o seu nome significa “Lugar dos Santos” e nesta expedição vão dois (Hélder Santos e Ana Santos), é já à partida um bom presságio. E faço daqui um milhões de fisgas para que o excelente alpinista (e pessoa) Hélder Santos não seja acometido do grande azar que teve em 2005, no Lhotse.

Na primeira fase da expedição mais doze montanhistas portugueses acompanharão João Garcia, tentando a ascensão entre outros cumes, ao Island Peak (6 189 m). Ver blogue muito bem concebido, de uma das intervenientes.

Quase em paralelo, Daniela Teixeira tentará nova ascensão a um 8 mil, desta vez ao Cho Oyo (8201 m), a sexta montanha mais elevada do planeta. Daniela Teixeira, a 1ª lusa a atingir um sete mil, tentou elevar a fasquia de altitude, o ano passado, em equipa com Paulo Roxo, mas problemas de saúde no seio da equipa impossibilitaram o atingir do cume do Shisha Pangma, pela via Britânica. Desta vez Daniela Teixeira realizará a expedição ao Cho Oyo (pela via tibetana), de 8 de Setembro a 23 de Outubro, sozinha e sem patrocínios, tentando tornar-se na 1ª mulher lusa a atingir um 8 mil. Ver excelente site e blogue.

Cho Oyo (8 201m), visto da aldeia de Gokyo.

Fontes das fotos:
Shisha Pangma : superior / inferior
Cho Oyo

Ver excelente galeria de fotos do Shisha Pangma e do Cho Oyo.