Evereste 2006 : grande feitos e grandes tragédias!

A nível de grandes façanhas, porventura a maior de todas tenha sido do neo-zelandês Mark Inglis, que foi o primeiro himalaísta com duas pernas artificiais a alcançar o cume do Everest (15 de Maio de 2006). Mark Inglis é um ex-investigador de Bioquímica que a partir de 1979 se tornou um profissional do montanhismo. Inglis foi atleta paraolímpico nas Olimpíadas de Sydney, conquistando a medalha de bronze na modalidade do ciclismo. Já em 2004 Inglis ascendera ao Cho Oyu, tornando-se, na altura, a segunda pessoa, na história do montanhismo, com dupla amputação, a ascender a uma montanha de mais de 8 mil metros.
Em 1982 Inglis sofreu um profundo revés durante a ascensão ao Mont Cook, na Nova Zelândia, quando, com o seu companheiro de cordada, Philip Doole, ficou retido durante 14 dias numa caverna de gelo (devido a uma forte tempestade). Como consequência foi forçado a amputar ambas as pernas (ao nível do joelho) por terem sofrido total congelamento.
A ascensão deste ano ao Everest também não foi se revelou nada fácil. No ABC (Advanced Base Camp) a
O japonês, Takao Arayama tornou-se em 17 de Maio de 2006 na pessoa mais velha a atingir o cume. Arayama contava com 70 anos e 225 dias. Porventura o mais curioso neste feito é que Arayama apenas se iniciou no montanhismo depois dos 50 anos de idade.
O sherpa (nepalês) Appa Sherpa ultrapassou o record (que já lhe pertencia) da pessoa que mais vezes ascendeu ao cume, perfazendo em 19 de Maio a sua 16ª ascensão com sucesso.
A título de curiosidade, Maxim Chaya, tornou-se o em 15 de Maio o 1º libanês a atingir o Evereste ; e Ana Luisa Boscarioli tornou-se a 1ª brasileira a chegar ao cume do Everest (pela face sueste - via clássica nepalesa), sendo que Helena (e Paulo) Coelho viram-se forçados a desistir por roubo do seu material.
De modo particular, para o mundo lusófono, a maior tragédia este ano no Evereste foi a morte, em 18 de Maio, do brasileiro Vítor Negrete (contava 38 anos) durante a descida da montanha, depois de ter se tornado o primeiro brasileiro a ascender ao tecto do mundo sem oxigénio, pela Face Norte (Tibete), nesse dia. Na expedição de Negrete estava também, o já citado inglês David Sharp. Admite-se que o facto de Negrete ter tomado conhecimento da morte de Sharp e de outros três membros da expedição, bem como o seu acampamento ter sido alvo de furto, tenham sido factores que contribuíram para o trágico desfecho final. Ver este artigo e este (antes citado). O corpo de Vitor restou do lado chinês da montanha, proibido de aceder de helicóptero, e teve que ser seu companheiro de expedição, Rodrigo Raineri, a subir a montanha para o enterrar junto ao campo 3 da Face Norte. Negrete que deixa mulher e dois filhos tinha conseguido pela primeira vez, o ano passado, atingir o cume do Evereste (dessa vez com recurso a oxigénio nos últimos 100 metros), junto com R. Raineiri.
Negrete, era a seguir a Waldemar Niclevicz (escalou seis 8 mil : everest [1995 e 2005], K2, Lhotse,... ; e os Seven Summits) o alpinista brasileiro de maior reputação na actualidade.
Os roubos de material efectuados nos acampamentos mais uma vez, e como já sucedeu noutros anos transactos, puseram seriamente em risco as vidas, e em alguns casos conduziram mesmo à morte, de diveros alpinistas.
Infelizmente o luto do alpinismo brasileiro não se ficou por aqui, pois há duas semanas atrás, a maior escaladora de Big Wall brasileira, Paula Nunes (por alguns considerada, mesmo, a maior alpinista brasileira pelo seu extenso currículo) também faleceu nos Estados Unidos.










