Pelas bucólicas Terras do Barroso… (III)
20 de Março de 2005

No Domingo, o grupo levantou as últimas amarras do acampamento cerca das 9.00 h. e dirigiu-se na direcção de Tourém, atravessando imensos lameiros e encostas verdejantes, onde o gado pastava pachorrentamente, em cotejo com alguns vales mais ermos e áridos, e do sombrio negrume das encostas alvo de recentes queimadas, necessárias, mas algo aversas ao olhar.
Cerca das 12.15 h. o grupo atravessava a ponte da Ribeira da Ponte Pequena, e o casario de Tourém perfilhava-se decano, em alguns casos mesmo secular, na nossa presença. Ali se perfazia, na sua totalidade, a trintena de quilómetros: monte acima, monte abaixo.
Tourém resta nos confins de Barroso, paredes-meias com a Espanha, um braço estendido (para alguns passadistas uma seta crivada) à Galiza. Mas o acolhimento neste burgo é sempre tão natural como o ar puro que aqui se inspira, e aqui prevalecem, como em Pitões, fortes reminiscências comunitárias e etnográficas praticadas por estas comunidades serranas, como é o caso do forno do povo, do trabalho colectivo ou do boi do povo, que mostra sua verdadeira têmpera nas famosas Chegas de Bois.
Os singulares usos, tradições e costumes nesta terra, que durante longo tempo foi compartida entre os galegos e os lusitanos (dizia-se que “uma casa de Portugal fica metida entre as da Galiza, e as casas da Galiza entre as casas de Portugal”) perdem-se no tempo, reflectidos na empírica sabedoria deste povo, deste Interior mais que profundo.
Acima de tudo percorrer Tourém e as terras do Barroso é ver, tocar e sentir bem no âmago de cada um, uma Ibéria sem fronteiras, sem grandes e míseros conflitos de rivalidade, sem grandes e nebulosos negócios, sem grandes processos judiciais, sem o compulsivo mega-consumismo das grandes urbes, sem a insegurança e o terror que a globalização também acarreta… mas onde a Natureza e os Homens são de uma grandeza ilimitada.
Nestas “Terras de Barroso”, reputadas de bem rigorosas e ásperas, de clima tão extremado, que delas se diz “o ano formado de nove meses de inverno e três meses de inferno”, o grupo foi desta vez acolhido com um tempo bem ameno e enxuto. Assim a boa-disposição e o espírito de equipa foram mais uma vez a tónica dominante ao longo deste fim-de-semana de espírito e alma bem Barrosã.


















